quarta-feira, 28 de Outubro de 2009


Entre 17 de Setembro e 15 de Outubro esteve patente a exposição "O Desenho em Reserva", Comissariada por Paulo Luís Almeida, na Biblioteca de fundo antigo da Universidade do Porto.

O DESENHO EM RESERVA

Em 1881, durante a sua permanência em Paris, Henrique Pousão realizou uma academia de um modelo negro sentado, que deixou incompleta. O desenho que hoje vemos na colecção da FBAUP parece mergulhar-nos no carácter privado das fases da sua realização: a cabeça e o torso perfeitamente modelados em carvão com o esfuminho, enquanto as pernas quase não existem, a não ser pela breve anotação dos contornos que foram espanejados para retirar o carvão em excesso, à espera da imagem prevista.

A imposição da folha de papel e a força cromática do branco, em oposição ao traço negro do desenho, cria o efeito visual de uma ausência relativa, marcada pela recordação ou pela expectativa. A este espaço de inacabamento e antecipação, que parece marcar a própria natureza do desenho, chama-se reserva.

Como outros termos que usamos para nomear o desenho — arrependimento, por exemplo — também este é um termo confiscado de um contexto normativo. Reserva, na acepção jurídica da palavra, significa "pôr à parte num contrato um direito que não se quer exercer de imediato, mas que pode ser reivindicado mais tarde". No desenho, a reserva identifica a manipulação deliberada dos espaços vazios da imagem, adiando para mais tarde o seu preenchimento e a sua conclusão; é a suspensão de um gesto que conserva o espaço para eventuais alterações.

Para além da acepção mais pragmática que pode ter — evidente, por exemplo, nas práticas da gravura e da estampagem — a reserva é também um modo de expressão. As imagens e os espaços mudos da reserva traduzem a vontade deliberada de não terminar; mas são também as estratégias de uma retórica visual que, mediante a elipse da imagem, permitem que as coisas estejam sem estar, sejam ditas sem ser pronunciadas, se mostrem sem ser mostradas.

Esta exposição, inserida nas comemorações dos 150 anos do nascimento de Henrique Pousão, propõe um percurso interrogativo sobre as definições, apropriações e usos da reserva nas práticas contemporâneas do desenho. Organizada a partir de trabalhos desenvolvidos durante as últimas edições dos mestrados de desenho da FBAUP, «Desenho em reserva» apresenta-se no duplo propósito que esteve na sua origem: por um lado, explorar o campo semântico da reserva no exercício expandido do desenho, uma exploração eminentemente prática, informada pelo percurso artístico de cada autor, e cujos resultados se comunicam enquanto objecto visual; por outro lado, propor uma reflexão aberta e consequente sobre a convergência e os conflitos entre a prática artística e os espaços da investigação.

Paulo Luís Almeida



sábado, 23 de Maio de 2009

mapaprovisorio


mapaprovisorio
Vídeo enviado por anatrincao

O projecto mapaprovisorio é um projecto artístico que pretende afirmar uma plataforma de investigação experimental colocando frente a frente as problemáticas da Arte Contemporânea.
Estruturou-se no formato de residências de criação/reflexão, nas quais, os criadores convidados desenvolveram os projectos e onde relacionaram as suas práticas experimentais individuais
O culminar desta primeira fase, teve lugar numa apresentação pública, nos dias 13 e 14 de Setembro de 2008, no evento CENTAMOSTRA. A exposição esteve patente ao publico na Tapada da Tojeira em Vila Velha de Ródão até ao passado, dia 30 de Setembro.
Toda a reflexão e debate em torno das problemáticas de investigação de cada criador, terá espaço na publicação a editar e no plano curatorial previstos para 2009.

Ficha técnica
Direcção Artística

Lara Soares
Criadores: Ana Trincão, André Banha, João Bento, Lara Soares e Rute Magalhães .
Consultoria Artística: Paulo Almeida

Produção
CENTA – Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas (2007/2008) Lara Soares (2009)
Contactos
Lara Soares / 91 4846880 / lara.natacha.soares@gmail.com ou mapaprovisorio@gmail.com

quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Projecto (R)existir 2008

Projecto pluridisciplinar, de formação e criação artística contínua, desenvolvido há sete anos no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco, concebido e coordenado pela coreógrafa Filipa Francisco.

Tem como objectivos a promoção da criatividade e a reflexão sobre a relação entre a arte e a vida, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e interpessoal. A metodologia baseia-se no cruzamento entre as artes performativas, as artes plásticas e a escrita, cujo objectivo final passa pela construção de um espectáculo a ser apresentado publicamente.

A prática é dividida em três fases: dramaturgia/exploração, composição e montagem/ensaios e apresentação do produto final.


Em 2008 a artista convidada, Lara Soares desenvolveu com os reclusos – 5 elementos do sector masculino – um trabalho de grande componente visual e performativa.

Concebeu-se a peça MARCAS estreada a 16 de Setembro no Estabelecimento Prisional, onde o corpo é o ponto central. Um corpo que assume uma conduta comportamental especifica, que se trabalha como um todo, pela soma de todas as partes. Um corpo que explora a gestualidade implicada na experiência de estar privado.


As marcas corporais, a ideia de disciplina do corpo, o controlo sobre os gestos, o tempo implicado na acção diária, são conceitos de trabalho que tentam por em relação este corpo com os objectos que manipula.

Este corpo, foi explorado ao longo do período de formação contínua e de forma autobiográfica cada elemento do grupo apresenta a sua história.
A peça é dividida em 5 partes fundamentais construídas de forma não narrativa, mas que apresentam uma linha condutora de um sentido colectivo.
O espaço onde a peça acontece é transformado numa espécie de câmara escura, onde a nossa percepção vai atender ao mínimo detalhe, numa construção global dos sentidos.

FICHA TÉCNICA
Direcção Artística – Filipa Francisco
Criação – Lara Soares
Co-criação –
Carlos Graça
Hélder Paixão
João Ansseriz
Miguel Sá Lopes
Sívan Bandel
Música – Joana Sá e Luís Martins
Edição vídeo – Ana Trincão
Produção e financiamento – CENTA
Parceria – EPCB – Estabelecimento Prisional de Castelo Branco
Mecenas – Câmara Municipal Castelo Branco
Contactos -
Filipa Francisco 91 814 85 41 filipafrancisco7@gmail.com
Lara Soares 914846880
lara.natacha.soares@gmail.com

GESTOS

#1 cicatriz (pormenores), papel rasurado com ponta metálica, papel quimico, 29,6 x 21cm, 2006



As relações semânticas entre a pele e o papel, são o meu ponto de interesse. Ambas são superfícies, revestimentos e estão ligados à ideia de "estender", horizontalizar, no sentido em que se estende uma determinada superfície. De que forma a inscrição no papel se assemelha à intervenção corporal? Procuro aprofundar a ideia de marca corporal, utilizando os meios e as ferramentas do desenho para atingir determinados objectivos. Eles determinam o resultado e constroem o Fazer do desenho.

sábado, 18 de Outubro de 2008




O projecto mapaprovisorio é um projecto artístico que pretende afirmar uma plataforma de investigação experimental muito específica, colocando frente a frente as problemáticas da Arte Contemporânea com o tecido social envolvente, foi integrado pelo centa como uma das actividades do plano anual do NAC [Núcleo de Arte Contemporânea].

Estruturou-se no formato de residências de criação/reflexão, nas quais, os criadores convidados desenvolveram os projectos e onde relacionaram as suas práticas experimentais individuais.

Temos contado com a colaboração do consultor Paulo Almeida (docente na FBAUP – Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto) que acompanhou os criadores ao longo de todo o processo de trabalho.

O culminar desta primeira fase, teve lugar numa apresentação pública, nos dias 13 e 14 de Setembro de 2008, no evento CENTAMOSTRA. A exposição esteve patente ao público na Tapada da Tojeira/ Salgueiral em Vila Velha de Ródão até ao passado, dia 30 de Setembro.
Toda a reflexão e debate em torno das problemáticas de investigação de cada criador, terá espaço na publicação a editar e no plano curatorial previstos para 2009.



MAIS INFO SOBRE ESTE PROJECTO CONTACTE:


Lara Soares - 914846880

terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Um antigo armazém.

São muitos os lugares por onde passamos e recordamos o que neles vimos, o cheiro que pairava no ar, as caras de quem conhecemos, alguns nomes, algumas pessoas, objectos, coisas…

Os trabalhos que aqui apresento, pretendem explorar a ideia de registo, a ideia de marca, do lugar da inscrição, daquilo que fica quando passamos por um lugar...

Todos deixamos marcas, rastos, todos pertencemos à memória de alguém.

Exposição patente no armazém de exposições em Cem Soldos - Tomar, até 31 de Agosto de 2008

Horário Segunda a sexta 17h às 20h

Fins-de-semana 12h às 20h